sexta-feira, 1 de maio de 2015

Sweet Curse com Harry Styles - Capítulo 2


  Eu ainda estava atônita a tudo o que estava acontecendo, não estava prestando atenção em nada pois minha mente não conseguia parar de criar mil e uma explicações para aquele acontecimento e eu tentava enxergar uma explicação razoável que não deixasse transparecer o quão louca eu estava ficando.
  Nem me dei conta quando chegamos na escola e logo no primeiro dia de aula já chegamos com um pouco de atraso, após Blair achar uma vaga no estacionamento, nós saímos correndo na chuva, nos dirigimos para a secretaria pegar os nossos horários e então fomos praticamente correndo para a nossa sala de aula.
  A primeira aula do dia era Literatura. O professor aplicou uma prova surpresa para ver quem quem havia lido o livro de férias.. Eu já tinha lido há uns dois anos atrás esse mesmo livro, então não o reli nas férias por pensar que ainda me lembraria dos detalhes, porém mais uma vez eu estava errada. Ótimo, me dei mal na primeira prova.
  Um informação básica sobre mim: Eu amo ler, leio praticamente o tempo todo, os livros são os únicos que conseguem me fazer viajar por um mundo imaginário, mesmo sendo por tão pouco tempo.. E geralmente vou muito bem em Literatura por conta disso, mas há meses aquele sonho vem perturbando meu pensamento, sempre fazendo-se presente em minha mente até em horas que eu procurava me livrar de todos os pensamentos, ele continuava lá. Eu estava tão obcecada por esse garoto, por querer descobrir o porque desse sonho, porque eu e o que eu tinha de especial para ele me procurar, que minha mente tem se voltado apenas a criar hipóteses e mais hipóteses nas horas vagas.
  A segunda aula de Química, que não foi muito melhor, primeiro por eu ter uma grande dificuldade em exatas e segundo porque mesmo eu gostando muito do professor, ele me amaldiçoou escolhendo o Austin para ser meu parceiro de laboratório.
  
  Alguns esclarecimentos sobre ele: Austin tinha lindos olhos claros e um sorriso encantador, eu já me apaixonei por ele, me apaixonei porque ele me tratou muito bem, mas simplesmente depois mostrou-me quem era de verdade. Ele não passava de mais um garoto bonito e.. só, ele tinha forma mas não tinha conteúdo, e com o tempo a paixão que eu sentia por ele começou a se transformar em ódio, por ele me desprezar, mesmo que ainda sejamos "amigos", e ainda mais ódio pelo jeito que ele se julga melhor que os outros e sempre consegue um jeito de deixar alguém mal com os seus comentários.
  E o pior é que a maioria dos garotos da escola eram cópias dele, não havia ninguém diferente, que fosse inteligente, bonito e engraçado mas sem ser maldoso, não havia ninguém que merecesse uma atenção especial..

  ...

  Meu dia só piorou!
  Agora era a aula de História Geral, eu simplesmente amava essa aula, mais uma vez por sentir que poderia ser transportada para longe dessa realidade e dessa cidadezinha monótona. A cada história sobre novos lugares, eu me imaginava nesses lugares, escrevendo minha própria história por eles. Me sentei ao lado de Blair ela copiava as anotações da aula anterior, Geografia. Aula em que ela dormira. Assim que me acomodei na cadeira ela parou de escrever e me olhou, seus olhos tinham um brilho diferente, uma expectativa.
  - (S/n) você soube? - Repeti a pergunta na minha mente várias vezes e pensei um pouco antes de responder.. Que eu saiba, nada de extraordinário havia acontecido, mas o que eu deveria saber exatamente?
  - Sobre.. - Arrisquei-me a falar.
  - O garoto novo! - Seus olhos castanhos reluziram quando ela pronunciou a palavra "novo".
  - Blair, tem muitos garotos novos, uma turma inteirinha do primeiro ano. - Falei calmamente enquanto analisava a expressão dela, porém ela se manteve animada.
  - Não, boba. - Ela deu uma risadinha, mostrando que estava sem graça. - É um garoto, mas ele é do nosso ano.
  Fiquei boquiaberta com a notícia. Era um milagre alguém novo entrar na escola, pois era uma das poucas escolas que havia na pequena cidade e por ser pequena em tamanho, a maioria de nós nos conhecíamos praticamente desde crianças ou da primeira série, e alguém vim para cidades pequenas é uma novidade, pois a maioria das pessoas que viviam aqui queria ir embora o mais rápido possível.. Como era o meu caso.
  - Quem é ele? - Não me contive e perguntei, mordendo levemente o lábio inferior.
  - Não sei.. - Blair falou com a expressão triste por ainda não ter visto o garoto. - Mas deve ser bonito, pelo que falaram.. - Minha mente criou mil imagens, idealizando como o garoto novo seria e o mais estranho foi que todas as imagens me levavam novamente para o garoto do meu sonho, como se aquele estranho pudesse ser a pessoa que a meses vem me atormentando, mas como isso seria possível? - E o melhor, ele é músico. - Blair me tirou dos meus devaneios e suspirou, aposto que sua mente também estaria criando mil imagens de como esse garoto poderia ser.
  Uma das meninas da nossa sala, Amy, sentou-se na cadeira vazia na frente da mesa de Blair e ficamos discutindo sobre o garoto novo.
  Desde que Blair tocou no assunto, o garoto novo não saiu da minha cabeça.. A possibilidade de alguém diferente, de um lugar diferente, alguém que já se aventurou pelo mundo, que realmente tem um história e segredos para contar, isso é incrivelmente exitante
  Sempre sonhei em sair desse lugar, aqui é tão monótono.
  - Vocês souberam do garoto novo? - John entrou na conversa dispersando-me mais uma vez dos meus pensamentos.
  - Sim. - Blair respondeu, seus olhos continuavam com um brilho diferente. - Inclusive Amy estava nos contando mais sobre ele, já que ela conseguiu vê-lo rapidamente quando ele estava fazendo sua matrícula na secretaria do colégio. - Blair respondeu, sem conseguir conter a animação em sua voz.
  - Ele não é nada de mais. - John falou e eu abri a boca para protestar, pois só de ser de um lugar diferente, isso para mim era tudo, porém ele me reprimiu com o olhar e simplesmente fechei minha boca e me calei, apenas ouvindo tudo em silêncio. - Ele é pálido, se veste mal e vocês já devem saber de quem ele é parente não é? - Ele perguntou.
  "Ele é pálido, se veste mal", talvez ele fosse apenas diferente, não fosse como o Austin e os garotos que o seguiam, fosse ele mesmo, tivesse sua identidade.. Mas o que realmente chamou minha atenção não foi esse fato, e sim a pergunta final.
  - De quem? - Perguntei curiosa, sustentando o olhar de John.
  - De Simon Cowell. - John pronunciou aquilo calmamente.
  Eu o encarei mais uma vez boquiaberta, desejei que fosse apenas uma brincadeira, mas.. John não estava brincandoMeus pensamentos sumiram do nada, a esperança de alguém novo se dissolveu, e eu mal conseguia falar dele, muito menos imaginá-lo. Por mais que tentasse..
  Simon Cowell era o excluído, o recluso da cidade. Ele morava em uma casa velha, cheia de ruínas, e incrivelmente abominável, ele nunca se deu muito bem com os prefeitos e as autoridades da cidade em geral, ele possuía uma opinião diferente, bom, ele era diferente. Possuía seus próprios costumes, e os seguia sem se importar com o que o resto pensaria disso, de certa forma eu o admirava por ter essa coragem de expressar sua diferença e não se intimidar com as pessoas o julgarem por tal feito.
  Ninguém o via há anos. Muitos boatos haviam corrido pela cidade e era praticamente impossível saber seu paradeiro e se ele estava vivo ou morto.
  - É verdade? - Blair perguntou com a voz falhando. Ela estava em choque, como eu, mas diferente de mim, ela expressava seu choque, enquanto eu preferia guardar apenas para mim mesmo todos os meus pensamentos.
  - Absoluta. - John respondeu decididamente.
  O professor entrou na sala e pediu silêncio, começou a dar a matéria mas a classe continuou a falar do garoto novo e pelo jeito que falavam dele, ele parecia ser esquisito como se fosse uma aberração ou um novo animal extraordinário que chegou a um zoológico famoso, o qual todos comentavam sobre, mas nem mesmo sabiam ao certo como ele era.
  Eu odeio isso!
  Odeio o fato de todos julgarem uma pessoa sem conhecê-la.

  ...

  O sinal para o final do primeiro tempo de aulas tocou. Me dirigi para o refeitório com Blair, pegamos a comida e nos sentamos em uma das mesas junto com o grupinho de pessoas do Austin, trocamos apenas meias palavras e como milagre eu quase nem comi. Minha mente estava confusa e eu ainda estava sem palavras, quando dizem que a frustração é a doença da humanidade eles estão certos, nós idealizamos algo que é perfeito para nós, e geralmente não passa de uma idealização, porque no final o perfeito não existe.
  Eu estava no estado de aceitação da frustração. Esse é o estágio mais difícil, porque mesmo sendo uma idealização, queremos acreditar nela e não no real.
  As conversas ocorriam a minha volta e se eu percebia que estavam falando comigo, comentava um "humhum" só para fazer de conta que estava prestando atenção a conversa, mas na verdade eu olhava um ponto fixo à minha frente e contava os dias para ir embora daquela cidade.
  As aulas do segundo período continuaram normais, uma mais chata que a outra, mas eu estava tão exausta de pensar, idealizar e me frustar que nem mesmo percebi como essas aulas correram..
  Na saída, estava caminhando ao lado de Blair pelo estacionamento para chegarmos ao carro, quando vi pelo canto do olho um carro, que se parecia muito com o carro que vi hoje de manhã, era tão parecido que algo dentro de mim se perguntava se não seria o mesmo..
  Fiquei paralisada com medo de que aquela estranha sensação retornasse, mas quando o garoto, que ocupava o acento atrás do volante, se virou pude notar que ele olhava em minha direção, ou pelo menos eu achava que ele olhava, dessa vez foi como se algo tivesse me atingido com força, a curiosidade falava mais alto que qualquer outra sensação e meu coração perdeu o compasso original.
  Quando ele deu a partida no carro, e o mesmo afastou, virei-me para Blair, sua expressão era de medo, ela segurou minha mão por um instante, sua mão estava incrivelmente gelada. Era como se tivesse visto um fantasma.
  - A-Aquele era..? - Comecei a frase, quebrando o silêncio, mas minha voz saiu entrecortada e eu fui incapaz de terminá-la.
  Ela assentiu com a cabeça.
  - Sim.. - A voz dela saiu extremamente baixa, como se ela tivesse algum receio de pronunciar quem ele era em voz alta e audível. - Era o sobrinho, neto ou sei lá o que, do velho Simon. - Ela falou rapidamente passando a mão no rosto.
  
  A garoa fina que caía sobre nós se transformou em uma horrível tempestade..
  Fiquei parada lá na chuva, não tinha uma explicação para tal feito apenas deixei a chuva me molhar, acabar comigo enquanto eu olhava fixamente para a vaga vazia que poucos minutos antes abrigava o carro do Senhor Cowell. Meu coração ainda estava disparado, e algo no fundo da minha mente alertava-me que não era por medo..
  Blair já havia entrado no carro quando despertei do transe e sentei-me, totalmente encharcada, no banco do passageiro, encharcando-o. Meu corpo estava arrepiado por conta do frio e apenas aumentou por eu estar molhada, mas eu nem mesmo era capaz de sentir o frio. Como se algo maior bloqueasse todas as outras sensações.
  Blair dirigiu de volta para casa. Eu olhava para a paisagem pela janela do carro, mas via apenas a chuva encharcar tudo a minha volta.
  Me deixei ter esperanças, achei que esse ano seria diferente, mudaria algo. Mas continuava tudo igual...

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#Mary (@letharrygo_)

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